Responsabilidade Socioambiental Corporativa: Fundamentação e Historicidade Essenciais

Autor: Rodrigo Coura de Castro Leite

Belo Horizonte, 31 de outubro de 2022

Kátia Valverde Junqueira (2005), em seu artigo A Responsabilidade Socioambiental das Companhias Abertas e os Sócios Minoritários, defende que o Neoliberalismo, ao abrir novos mercados e estimular a Globalização, invibializou outros modelos de gestão que não atendam expectativas de transparência, ética e responsabilidade esperadas pela sociedade por parte da Governança Corporativa e pelos sistemas de Gestão da Responsabilidade Socioambiental Corporativa das empresas.

Sendo assim, de acordo com Junqueira (2005), surgiram novos indicadores, como: os Princípios do Direito Ambiental, que prima pelo “Poluidor Pagador”; pelas variáveis ambientais em processos de desenvolvimento, pela prevenção e precaução, pela função socioambiental da propriedade e pelo Direito ao Desenvolvimento Sustentável; o Índice Global Dow Jones de Sustentabilidade / Dow Jones Sustainable Index (DJSI) – composto por ações de empresas de todo o mundo, com sutentabilidade corporativa reconhecida, criando valores para seus acionistas, baseados no Gerenciamento de Riscos associados aos fatores sociais, econômicos e ambientais (Responsabilidades Corporativas) praticados pelas mesmas.

Consequentemente, valorizando ações e atraindo investidores; o IBGE, divulga indicadores de Desenvolvimento Sustentável com fatores Socioambientais e, finalmente, o Balançco Social, que dá acesso à sociedade das ações empresariais em projetos e práticas de Responsabilidade Corporativa. (Junqueira, 2005)

Bem… iniciado o debate, a partir da análise de Junqueira (2005), torna-se necessário compreender o papel da Responsabilidade Socioambiental Corporativa, bem como conceitos e diretrizes essenciais, por meio de sua historicidade. Baseado em Francisco Paulo de Melo Neto (2011), em seu livro: O bem feito: os novos desafios da gestão da responsabilidade socioambiental sustentável corporativa, podemos ter uma compreensão inicial a  respeito destas questões essenciais. Por meio de Junqueira (2005), Neto (2011), Neves (1998) entre tantos outros, podemos iniciar a fundamentação teoria do nosso Blog.

De acordo com Neto (2011), a partir de 1970, setores público e Estado passaram a buscar, a curto e longo prazo, o autosustento da sociedade. Para ele, as empresas passaram a enfocar estrategicamente suas ações socioambientais, ao perceberem que juntos, Estado e setor privado poderiam enfrentar os desafios sociais.  Emergia também o conceito da Responsabilidade Social.

Segundo o autor, uma série de Ondas de Sustentabilidade Múltiplas, decorrentes de acontecimentos e tratados socioambientais de repercussão internacional, fez emergir estes novos conceitos, tecnologias e modelos de gestão da Responsabilidade Socioambiental Corporativa. Muitas empresas passaram a colocar em prática, sua competência na gestão de empreendimentos e projetos, em constante diálogo com membros da sociedade e comunidades locais, iniciando um processo de autoaprendizagem nos campos social e ambiental.

Para Neto (2011), o relatório “Nosso Futuro Comum” aponta não somente o setor privado como vilão do processo de degradação, atribuindo também o comportamento consumista da sociedade como a verdadeira causa da insustentabilidade social e ambiental, quando as empresas transformaram-se em coagentes de promoção da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável, agregando  estas práticas ao seu papel no desenvolvimento econômico. Com o surgimento do Triple Bottom Line (3P´s: People, Planet e Profit),  tornaram-se empresas praticantes da Responsabilidade Socioambiental Corporativa.

Ao adotar a gestão estratégica da Responsabilidade Socioambiental Corporativa, de acordo com Neto (2011), as empresas passam a Gerenciar Estrategicamente a Sustentabilidade, analisando o ambiente externo perante as transformações socioambientais sustentáveis, considerando as questões éticas e os valores (Ethos) empresariais, passando a gerenciar também suas relações com os Stakeholders (todos os públicos alvo das empresas), bem como o poder de influência de todos os envolvidos, nível de interação e apoio e suas capacidades de gerar e agregar  valores para a empresa.

Sendo assim, de acordo com o autor, podemos dividir as Responsabilidades Corporativas em cinco tipos: Responsabilidades de Negócio; Responsabilidades Sociais; Responsabilidades Ambientais; Responsabilidades Socioambientais e finalmente, Responsabilidades Humanitárias.

Concluindo nosso post e abrindo um leque para maiores discussões futuras,  baseio-me em Luiz Felipe Baêta Neves (1998), e em sua publicação: Região e Nação, na Revista A Construção do Discurso Científico, quando aponta para a ideologia do Planetarismo: como uma forma de passarmos a analisar a existência vigorosa das “partes”, que se opõem ao triunfo hegemônico de um todo absoluto.

Referências Bibliográficas

– Junqueira, Katia Valverde. A Responsabilidade Socioambiental das Companhias Abertas e os Sócios Minoritários. V.4, n.19, p.2162-2180, jan/fev. 2005.

– Melo Neto, Francisco Paulo de. O bem feito: os novos desafios da gestão da responsabilidade socioambiental sustentável corporativa. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2011.

– Neves, Luiz Felipe Baêta. Região e Nação. Revista A Construção do Discurso Científico. EDUERJ, Rio de Janeiro, 1998. 160p.

Deixe um comentário